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Curso de francês grátis: como começar do zero

Curso de francês grátis para brasileiro: o que é fácil, o que pega, cursos públicos e recursos gratuitos que existem e um plano de 12 semanas.

Autor: QlangoPublicado em: 8 min de leitura

Aprenda francês direto do português: Bonjour significa “Bom dia”

Um curso de francês grátis de verdade existe, e em algumas cidades brasileiras ele vem até com sala de aula, professor e lista de chamada. O resto se monta em casa, com material público de ótima qualidade e um aplicativo que você baixa de graça. E o brasileiro começa na frente sem perceber: abajur, garçom, bufê, maiô e sutiã são palavras que vieram do francês e entraram no nosso dia a dia.

Abaixo vão o que é fácil e o que dá trabalho para quem fala português, como começar no Qlango, onde estão os cursos públicos e os melhores recursos gratuitos, um plano de doze semanas e prazos honestos.

Francês é difícil para brasileiro?

Menos do que a fama sugere. O Foreign Service Institute, que forma os diplomatas americanos, põe o francês na sua categoria mais fácil: 30 semanas, cerca de 690 horas de aula, até um nível profissional. A conta é feita para quem fala inglês. Para quem fala português a distância é menor, principalmente na leitura, embora a pronúncia peça bastante treino.

O que ajuda O que dá trabalho
Vocabulário parente: liberté, université, nation Letras escritas que não se pronunciam
Vogais nasais, que o português também tem O u francês e o eu de deux
Dois gêneros e artigos parecidos O pronome sujeito, sempre obrigatório
Um subjuntivo que você já usa O partitivo: du pain, de l'eau

O que o brasileiro já traz de vantagem

O vocabulário, para começar. O francês -té corresponde ao nosso -dade: liberté (liberdade), université (universidade), vérité (verdade). E -tion corresponde a -ção: nation (nação), attention (atenção), information (informação). Num texto escrito, muita coisa se entende de cara.

Depois vêm os sons. Poucas línguas europeias têm vogais nasais, e o português e o francês estão entre elas: pain (pão), bon (bom), vin (vinho). O timbre não é idêntico, mas você já sabe anasalar, coisa que trava muito estudante de outras línguas. O r francês, feito na garganta, lembra o r de "rato" e "carro" em boa parte do Brasil.

A gramática também é de casa. O subjuntivo aparece onde a gente espera: il faut que tu viennes, é preciso que você venha. Os substantivos têm dois gêneros, os verbos conjugam por pessoa e os artigos funcionam de modo parecido.

Onde o brasileiro tropeça

As letras mudas

Em "ils parlent", a terminação -ent não se pronuncia, e a frase soa como "il parle". "Beaucoup" (muito) se diz mais ou menos "bocu". E o mesmo som se escreve de várias formas: vert (verde), verre (copo), vers (verso) e ver (verme) soam iguais. A saída é aprender cada palavra nova junto com o som, nunca só pela escrita.

O u e o eu

O u francês não existe em português: é um i dito com os lábios em bico. Sem ele, tu (você, no tratamento íntimo) vira tout (tudo), e dessus (em cima) vira dessous (embaixo). O eu de deux (dois) e peur (medo) também pede treino, porque não tem par na nossa língua.

Sujeito, passado e partitivo

Em português você diz "falo"; em francês é obrigatório dizer je parle. Até a chuva precisa de sujeito: il pleut, chove. O passado do dia a dia é composto: j'ai mangé quer dizer eu comi, não "tenho comido", e je suis allé quer dizer eu fui. E quantidades indefinidas pedem o partitivo: je mange du pain (eu como pão), je bois de l'eau (eu bebo água).

Na fala, duas coisas confundem no começo. O ne da negação costuma sumir: je ne sais pas (não sei) vira je sais pas. E as palavras se ligam: les amis soa como "lezamí".

Os falsos amigos

Alguns são só curiosos, outros rendem cenas constrangedoras:

Em francês Quer dizer Para dizer o que você pensou
attendre esperar répondre, servir (atender)
salir sujar sortir (sair)
la tasse xícara la taxe (taxa)
le garçon menino le serveur (garçom)
embrasser beijar serrer dans ses bras (abraçar)
la boîte caixa la boîte de nuit (boate)

Como começar de graça no Qlango

Baixe o Qlango no Android ou no iOS, ou use a versão web: o download é gratuito e as primeiras lições também. Ao adicionar o curso, escolha o português como idioma de base, para que todas as traduções venham em português e não passem pelo inglês. O curso de francês vai do A1 ao C2, e a primeira lição A1 leva uns cinco minutos.

O áudio de pronúncia, gerado por síntese de voz, ajuda a ligar a escrita ao som, que é justamente o ponto fraco de quem vem do português. A repetição espaçada traz cada palavra de volta pouco antes de você esquecê-la, e os flashcards mantêm o vocabulário girando. Os exercícios vão de escolher entre quatro respostas a montar frases inteiras e escrever sozinho, que é onde você descobre se entendeu o partitivo. Para os dias de cansaço há jogos como Word Duel, Wordle e MinuteRush. No chat com outros estudantes você escreve as primeiras mensagens de verdade, com tradução das mensagens e ajuda da IA para montar a resposta. Sequência de dias, plano semanal e estatísticas mostram se o hábito está pegando. O Premium acrescenta um professor de IA e o estudo offline.

Todos os cursos e níveis estão na lista de idiomas, e a página sobre os níveis do Quadro Europeu explica o que cada um significa na prática.

Curso de francês grátis: onde encontrar aulas e material

O francês tem muito material público e gratuito, e no Brasil existem até cursos presenciais sem mensalidade. Escolha dois ou três recursos e use toda semana:

  • Centros de Estudos de Línguas nos CEUs de São Paulo. Em fevereiro de 2026, a prefeitura abriu mais de 8 mil vagas em cursos gratuitos de idiomas, francês entre eles, em 51 CEUs. As vagas são para alunos da rede municipal e, em 13 unidades, também para o público em geral.
  • Centros Interescolares de Línguas do Distrito Federal. Os 17 CILs oferecem cursos gratuitos de inglês, espanhol, francês e japonês. A prioridade é dos alunos da rede pública, e as vagas que sobram vão para a comunidade por sorteio. Em outras cidades, vale perguntar na secretaria de educação se existe algo parecido.
  • Le français facile avec RFI. A rádio pública francesa mantém um site gratuito para estudantes, com interface em português. O Journal en français facile é um noticiário de uns dez minutos, de segunda a sexta, com a transcrição completa.
  • TV5Monde, Apprendre le français. Exercícios gratuitos feitos a partir de vídeos de verdade, do A1 ao B2, organizados por nível e por tema.
  • France Éducation international. O órgão que aplica o DELF publica de graça exemplos de provas, com os áudios e as grades de correção. Servem como ponto de controle, mesmo que você não pretenda fazer o exame.
  • Filmes e séries em francês. Com legenda em francês, não em português: é assim que o som se cola na palavra escrita.
  • Uma troca de conversa. Meia hora de português por meia hora de francês, com alguém que queira aprender a nossa língua.

Um plano grátis para as primeiras 12 semanas

Reserve de 20 a 30 minutos por dia, seis dias por semana: um quarto de hora de lições e revisão, o resto para ouvir e escrever.

Semanas O que fazer
1 e 2 Pronúncia: o u, as nasais, as letras mudas. Cumprimentos, apresentar-se, être e avoir, números até 100.
3 e 4 Verbos em -er no presente, artigos e partitivo, pedir num café e fazer compras.
5 e 6 Aller, faire, venir e prendre, perguntas com est-ce que, pedir e dar direções.
7 e 8 O passé composé com avoir e être. Escreva cinco frases sobre o seu fim de semana.
9 e 10 O futur proche, je vais partir (vou partir), e um vídeo da TV5Monde por dia.
11 e 12 Imparfait e passé composé lado a lado, um Journal en français facile por dia e a prova de exemplo do DELF A1.

Depois de doze semanas você se apresenta, pede, pergunta o caminho e conta o que fez ontem. Devagar, mas em francês.

Quanto tempo leva para aprender francês

Para ter uma ordem de grandeza, use as estimativas da Cambridge English para horas de estudo guiado: de 180 a 200 horas até o A2, de 350 a 400 até o B1 e de 500 a 600 até o B2. Elas foram pensadas para o inglês, mas servem de referência para outras línguas.

O brasileiro costuma andar mais rápido na leitura do que essas contas sugerem; ouvir e falar pedem as horas cheias. Meia hora por dia soma umas 180 horas por ano, o que deixa o A2 ao alcance no primeiro ano. Com uma hora por dia, o B1 vira uma meta realista para o mesmo prazo.

Perguntas frequentes

Francês é mais difícil que espanhol para brasileiro?

É, principalmente na pronúncia e na ortografia. O espanhol se escreve quase como se fala e está bem mais perto do português. Se estiver em dúvida, veja o guia para aprender espanhol sem cair no portunhol.

Dá para aprender francês de graça?

Dá para ir longe. Com os cursos públicos, a RFI, a TV5Monde e os exemplos do DELF você monta um curso de francês grátis que cobre aula, escuta, leitura e checagem de progresso. O Qlango é gratuito para baixar e as primeiras lições também, o que ajuda a criar o hábito desde o primeiro dia.

Francês da França ou do Canadá?

Comece pelo francês padrão, que se entende em qualquer lugar. Quem pensa em morar no Quebec vai ouvir um sotaque bem próprio e algumas palavras diferentes, e se acostuma com o tempo. Na Bélgica e na Suíça muda até a conta: 70 é septante e 90 é nonante, em vez de soixante-dix e quatre-vingt-dix.

Preciso saber inglês para aprender francês?

Não. Estudando direto do português, você aproveita o parentesco entre as duas línguas latinas sem passar por uma terceira. Se o inglês também estiver na lista, o guia sobre aprender inglês sozinho segue o mesmo raciocínio.

Escolha o português como idioma de base e o francês como idioma de estudo, faça hoje a primeira lição A1 e amanhã ouça o seu primeiro Journal en français facile, mesmo que só pesque algumas palavras. Petit à petit, como dizem os franceses: pouco a pouco.

Fontes

Aprenda um idioma de graça

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